HOSTIL

18:05 José Luiz 2 Comments

 


Tempo seco, bruto, implacável

Nada de lágrimas do céu

De alegria, pois brotam vida

Poeira e fumaça dominam

 

Pra ser jardim tem de ser forte

Vontade, desejo, resistência

Suportar as dores em silêncio

Tolerar a hostilidade do tempo

 

Flores haverão de existir

Amarelas, de todas as cores

Mesmo em excesso de calor

Haverá ainda luz e esperança

 

E depois, chega o tempo das águas

Com mais flores e frutos

Foi preciso o agosto

Para o setembro vicejar


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RESISTÊNCIA

07:33 José Luiz 0 Comments

A lâmpada brilha. É sol em lugar escuro. O bulbo de vidro frágil e transparente recobre o encontro de forças antagônicas. O positivo que é mesmo positivo. O negativo que não é nem um pouco negativo. É neutro, melhor definição. Deste encontro forçado, em que o choque é inevitável, o impacto da contrariedade gera movimentos, faz equipamentos aparentarem vida, a voz ecoar longe, as imagens se propagarem, alimentos se conservarem, a luz clarear espaços e tantos caminhos.

Interessante perceber que há um sofrimento nessa relação paradoxal. Dentro da delicada cápsula um filamento metálico em espiral resiste. Resiste tanto a ponto de receber o nome de resistência. Suporta as dores e não se rompe, tem significativa durabilidade e cumpre um papel de grandeza. Se tocar a lâmpada incandescente sentirá o calor a queimar as mãos. Melhor de tudo: mais que calor, o filamento resiliente produz luz e nos faz enxergar as belezas, as feiuras, nossas rugas, nossos sorrisos e torna visível a lágrima teimosa que, por vezes, ousamos esconder.

Somos resistências em estado puro. A suportar, tolerar, resistir e tocar o barco por mares bravios, tempestuosos. Quando o choque impacta, o medo chega, mesmo assim não estacionamos sem sair do lugar. Podemos até parar para respirar, recarregar as baterias, na estação do tempo, mas a trilha é longa e exige muito de nós. Vamos seguindo, esparramando o que há de bem, o que ainda resta de vida em nós. A missão é de cada um. Não dá para transferir, terceirizar. Então, o jeito é resistir e, quiçá, vencer!

É isso aí!


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NILZA

20:15 José Luiz 0 Comments

 


Eram meados de 1990, um dia frio, 6h40 da manhã. Bateu no portão, atendi e já veio dizendo que havia sugerido à diretora da Escola que eu substituísse uma professora que estava de licença médica. Ela falou que me achava inteligente e que tinha indicado meu nome para ministrar essas aulas por 15 dias. Sem entender muito bem tudo aquilo, logo me aprumei e segui para a escola que ficava bem próxima de minha casa. Lá, não houve tempo sequer de saber muito sobre o assunto, a diretora rapidamente pegou os materiais e pediu para que me dirigisse às salas, pois os alunos tinham aula e estavam sem professor e que depois eu assinaria os papéis.

Eram aulas de matemática, pasmem. Eu, um homem das letras, amante das palavras, tive meu primeiro contato com o magistério ensinando fórmulas e outras contas. Bem que meu pai, de certa forma, profetizava o que viria pois nos ensinou desde cedo, no exercício da função de atendentes na venda, a fazer contas de cabeça, regra de três, prova dos nove, alguns outros conhecimentos aritméticos que muito nos ajudam até hoje.

Entrei naquelas salas e dali nunca mais saí. A educação me enlaçou de tal maneira que não pude mais me desgarrar daquilo que emprestaria todo sentido à minha vida. No início da carreira, ministrei todos as disciplinas, até que, algum tempo depois, fui fazer minhas licenciaturas, muitas formações, efetivar em concursos em minha área predileta, ser diretor, secretário de educação, consultor, escritor, palestrante etc.

Nilza é dessas pessoas aparentemente sisudas, de personalidade forte, mas de caráter ímpar. Amiga dos amigos, de uma forma toda peculiar e, por vezes, rude, manifesta seu carinho por todos. Nilza foi minha professora no 1º ano do primário, ensinou-me a escrever as primeiras palavras.

Hoje é seu aniversário. Fui até sua casa levar um presente simples. Nem sabia se iria gostar, mas fui assim mesmo. Nunca havia dito isso a ela, mas precisava dizer e senti que deveria ser hoje. Falei para ela que as flores representavam minha gratidão por ter se lembrado de mim um dia e ser responsável por tudo o que a educação desencadeou em minha vida, na minha história. Ela me falou sorrindo que se lembra direitinho daquele dia e agradeceu pelo presente e, bem conectada nas redes, prontamente me pediu para que tirássemos uma foto para registrar esse momento. Assim o fizemos. Sorriu e nos convidou para entrar em sua casa de alpendre, tão simples, tão bonita. Desculpei-me e disse que já estava atrasado para uma reunião, mas que voltaria outro dia com tempo para apreciar um café. Hei de cumprir essa promessa!

Parabéns, minha amiga. Desejo a você muita saúde e toda paz deste mundo, pois merece muito.

Obrigado por ter sido luz em minha vida e de tantos outros.


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