PERMANECER
Túmulos esquecidos. Escombros
de um antigo cemitério, onde jazem importantes figuras de um passado um pouco
distante. O mato já consome os espaços e restam ruínas de um templo de
saudades, lembranças e esquecimentos. Pelo tempo transcorrido, a campa mais recente
beira o final da década de 1960. Todos ali já viraram pó da história. Nenhum
adereço, nada de vasos contendo flores de plástico ou coisa similar. Ali estão
os bisavós, tataravós de quem ainda vive. Somos deste tempo ávido que consome
nossos dias com voracidade e pressa, e seremos lembrados até a primeira geração
depois da nossa, no máximo, até a segunda. Talvez, os netos ainda se lembrem de
deixar uma florzinha alaranjada no dia de finados. Isso vem comprovar que o
que, de fato, vale é o que se vive, o amor que se planta, as histórias que
conta por tê-las vivido, das marcas que vai imprimindo por onde passa.
As vozes mais lindas
permanecem vivas nas audições possíveis nos canais de vídeos, nos áudios
disponíveis, nas memórias auditivas. Se não der para ser Beethoven, que ainda
vive há centenas de anos, sejamos o melhor que der para ser. Há jeito de
permanecer. Vamos passar, é certo. Como será então nossa viagem? Por mares
bravios, ondas gigantes, monstros reais ou imaginários que tentam nos devorar,
vamos atravessando o oceano com nossas naus alquebradas, velas emendadas, mas
com firmeza nas mãos para não perder o comando do leme, nem se perder e chegar
vivo ao porto. A bússola está ali, indicando o norte, apontando a direção.
Chegaremos lá?
Tal qual um soldado que vem
todo amarfanhado pelos horrores da guerra, sempre teremos alguém para nos
receber, nos acalentar e cuidar de nossas feridas até que estejamos prontos
para novas batalhas. A vida é sempre essa expectativa do recomeço. O dia em que
a alma humana se der por satisfeita é o adeus definitivo. Tchau. Já deu!
Prefiro os que nunca se entregam, que sempre estão prontos para outra. Assim,
vamos nos reconstruindo, nos refazendo, como rasuras que se reescreve a todo
tempo até que esteja pronta a versão final, que ainda demora a chegar.
É isso aí!
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