MÁGICA DE DIAS NOVOS
Como são danados estes meninos e meninas de hoje! Vivem a nos surpreender. Impressiona a capacidade criativa e o potencial de cada um. Após anos afastado do contato em sala de aula com os adolescentes, esta experiência tem servido para me rejuvenescer, encher o coração de entusiasmo e renovar a esperança nestes jovens. Eles são capazes de se emocionar ao ouvir uma poesia bonita e sorrirem com as piadas mais sem graça deste surrado professor. Mergulham nos textos que produzimos com paixão, desde a confecção de um minúsculo Haicai até um custoso conto de flashback.
Dia destes, uma de minhas alunas pediu para ler meu livro. Após a leitura e, ao devolver o livro, sem nada dizer, deixou uma cartinha dentre as paginas de meu conjunto de crônicas. Só fui notar a presença da carta no outro dia, quando estava a folheá-lo. Era uma folha de caderno, com desenhos de flores nas bordas, cheio de cor, como cabe às meninas sonhadoras. Confesso que fiquei enternecido. Ali ela transcrevia suas impressões sobre o que havia lido, com uma sensibilidade própria da idade. Com uma simplicidade comovedora, fez comentários sobre as crônicas que mais a havia tocado. Falava do cajueiro, do biscoito frito, da cajá-manga e das palavras carinhosas dedicadas à minha amada. Linda demais esta possibilidade de tocar o coração das pessoas e se deixar tocar por elas.
Este é o poder da literatura; é a experiência insubstituível da sala de aula. Fico a imaginar o show diário que cada professor proporciona em seus cotidianos difíceis, de tantas jornadas, idas e vindas, e as mágicas que faz para sobreviver com parcos salários e mesmo assim, não perder o viço, o desejo de ensinar melhor, a entrega total e irrestrita que justifica sua existência, que empresta sentido à vida do educador.
Estas linhas poucas querem abraçar cada colega professor e professora que consegue ver futuro nos olhos daqueles que estão postos à sua frente para se inspirarem pelos seus olhos e voz e, assim, se tornam eternos. Estas frívolas linhas também querem dizer da esperança na juventude que viceja e se agita, em tempos ruidosos, para apontar seu lugar neste mundo. E vamos indo!
É isso aí!
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